Empréstimos e taxas de crédito

Taxa fixa, variável ou mista: qual escolher no crédito habitação

Quando contratas um crédito habitação, uma das decisões que mais pesa no valor da tua prestação ao longo dos anos não é só o banco que escolhes, é o tipo de taxa de juro. Em Portugal podes escolher entre taxa fixa, taxa variável e taxa mista, e cada uma distribui o risco de forma diferente entre ti e o banco.

Taxa variável: acompanha a Euribor

Na taxa variável, a tua prestação está indexada à Euribor, normalmente a 3, 6 ou 12 meses, mais um spread fixo definido pelo banco. A prestação é revista periodicamente, consoante o indexante escolhido, e sobe ou desce conforme a Euribor se move.

É historicamente a opção que costuma ter o custo inicial mais baixo, mas também a que te deixa mais exposto: se a Euribor subir de forma acentuada, como aconteceu em anos recentes, a tua prestação sobe com ela, por vezes de forma significativa.

Taxa fixa: previsibilidade, a um preço

Na taxa fixa, o juro mantém-se igual durante todo o prazo do empréstimo, ou por um período longo definido no contrato. A prestação não muda, o que te dá uma previsibilidade total sobre o teu orçamento mensal.

Essa segurança tem um custo: a taxa fixa tende a ser mais cara do início, precisamente porque o banco está a assumir o risco de a Euribor subir ao longo do contrato, sem poder repercutir essa subida na tua prestação.

Taxa mista: um meio-termo

A taxa mista combina os dois regimes: um período inicial com taxa fixa, normalmente entre 2 e 10 anos consoante o banco e a campanha, seguido da passagem para taxa variável indexada à Euribor pelo resto do prazo.

Na prática, dá-te estabilidade na prestação durante os primeiros anos, o período em que o orçamento familiar costuma estar mais ajustado por causa da mudança de casa, e só depois fica exposta às variações do mercado.

Qual escolher

  • Taxa variável: se priorizas o custo mais baixo possível agora e tens margem no orçamento para absorver subidas futuras da prestação.
  • Taxa fixa: se valorizas acima de tudo saber exatamente quanto vais pagar todos os meses, mesmo que isso signifique pagar mais no total.
  • Taxa mista: se queres um equilíbrio, com estabilidade nos primeiros anos e exposição ao mercado só depois, quando a tua situação financeira já estiver mais consolidada.

O que mais pesar na decisão

Compara sempre a TAEG (Taxa Anual de Encargos Efetiva Global) entre propostas, não só o spread ou a TAN, porque a TAEG inclui comissões e seguros associados ao crédito. Pergunta também ao banco quais são as condições e os custos para mudar de regime de taxa a meio do contrato, caso a tua situação ou o mercado mudem – essa mudança costuma ter um custo associado, que varia de banco para banco.

Trabalhamos para que os conteúdos sejam o mais fiéis possível, mas esta página é informativa. Todas as questões jurídicas e fiscais devem ser revistas por um advogado, solicitador ou contabilista certificado. Este artigo não substitui uma simulação com o teu banco ou intermediário de crédito. As condições de cada proposta variam bastante e mudam com frequência.

Perguntas frequentes

Posso mudar de taxa variável para fixa a meio do crédito?

Normalmente sim, mas depende das condições do teu contrato e do banco, e costuma ter um custo associado. Pergunta ao teu banco qual é o processo e o custo concreto antes de decidires, em vez de assumires que a mudança é gratuita ou automática.

A taxa mista protege-me completamente de subidas da Euribor?

Só durante o período inicial em que a taxa está fixa. Depois desse período, a prestação volta a acompanhar a Euribor como na taxa variável, por isso a proteção é temporária, não permanente.

Vale sempre a pena escolher a taxa com a prestação inicial mais baixa?

Não necessariamente. Uma prestação inicial baixa numa taxa variável pode subir de forma significativa se a Euribor subir. Vale a pena simular o cenário de uma subida da Euribor antes de decidires só com base na prestação do primeiro mês.

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